No dia 21 de agosto foi lançado o movimento Salves as Serras (SAS). O Movimento objetiva conhecer e articular ações de proteção das Serras, fortalecendo os Povos e Comunidades Tradicionais, ações comunitárias e institucionais que lutam para promover o cuidado com os ecossistemas de importantes regiões serranas do Brasil, sobretudo na sua parte Semiárida, onde as fontes de água doce são verdadeiros tesouros.
Trata-se de um movimento plural, coletivo, em DEFESA DAS SERRAS, onde encontram-se importantes nascentes de rios brasileiros como o Itapicuru, o Salitre, o São Francisco, entre outros.
Idealizado por associações de moradores e moradoras da porção norte dessa região, objetivando proteger seus territórios, seus modos de vida, a natureza total, é também uma estratégia de luta contra empreendimentos com grandes impactos socioambientais, como é o caso das mineradoras, parques eólicos, grandes estradas, linhas de transmissão, entre outros.
Sua principal ferramenta de luta é um mapa colaborativo, também conhecido como mapa vivo, que será atualizado em tempo real por todos os integrantes da rede articulada do SAS e poderá ser utilizado por diferentes frentes de proteção desses espaços naturais das Serras, ha séculos, explorados dentro de uma lógica colonialista que perdura até os dias de hoje.
Espera-se seja uma importante fonte para o campo jurídico-formal, a exemplo do Ministério Público, e para o sistema político brasileiro que precisa, urgentemente, rever as leis que tratam da gestão das riquezas naturais do Brasil, que devem primar pela proteção dos ecossistemas e por justiça socioambiental.
O lançamento contou com a participação do Professor Alfredo Wagner, coordenador do Projeto Nova Cartografia Social, onde se originou o movimento, das lideranças comunitárias da Serra dos Morgados Edna Cruz e Elizabete Cruz, do Articulador das Comunidade de Fundo e Fecho de Pasto da Bahia, Valdivino Rodrigues, e do Militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM – Pablo Montalvão.
Na oportunidade foi laçado o livro da Serra da Berinjela – Campo Formoso (BA), onde importantes nascentes estão sendo destruídas pela perfuração irregular de poços artesianos. A comunidade também vem sofrendo por um ilegal assédio de mineradoras e empresas eólicas.
Sabemos, não há limites para a ganância dos destruidores da natureza e, mesmo com a pandemia que ameaça toda a vida humana na Terra, pouco mudou da lógica do Capital que teima em destruir os ecossistemas.
Só há uma forma de proteger a natureza, de Salvar as Serras, com mobilização do Povo! O Movimento Salve as Serras (SAS) surge no momento em que essa necessidade nunca foi tão gritante em nosso país onde, observamos, está em curso a destruição dos poucos instrumentos de proteção legal da natureza!